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4.7.18

Depressão: Um relato sobre estar

@giseleovitski
Essa semana eu escutei uma música que diz muito sobre mim. Admiro muito os cantores sabe, simplesmente por eles terem o dom e o prazer de lançar em forma de arte, toda angústia, experiências e demais coisas que vivenciam, assim, sem medo de expressar aos quatro cantos do mundo! No fundo sinto até uma inveja. No fundo, eu os agradeço de um modo desesperador por exprimirem aquilo que não consigo falar!

A música em questão é “Sober” da cantora norte - americana Demi Lovato. Pra quem não sabe, ela lançou alguns documentários relatando sobre sua luta em largar as drogas, o álcool, os remédios. Ela tem ansiedade, bipolaridade e depressão. Sofreu bullying e diversas decepções em sua família. Isso tudo sendo apenas uma jovem de 25 anos que tem todos os holofotes em sua direção.

Eu tenho 24 anos e tenho depressão! É difícil admitir que o TENHO ainda está em tamanha evidência. As causas? Problemas familiares, círculos de amigos tóxicos, perdas de coisas e pessoas, e tantos outros fatores que vem se juntando desde criança, igual ela, mas sem os holofotes em minha direção. Bem, sou aspirante a Jornalista, digo aspirante, por que após algumas crises eu desisti da faculdade. Na verdade, há alguns anos atrás estaria me apresentando como dançarina de dança gaúcha, cantora de festivais, menina que adora viajar, que prática mil esportes, adora aprender coisas novas, que ainda mora com os pais e tem diversos amigos.


Mas bem, as coisas mudam e hoje essa menina da descrição acima parece mais a descrição de uma personagem desses filmes que se passam em escolas americanas. Em três anos eu parei de estudar, parei de dançar, não prático esportes, prefiro não sair da minha zona de conforto, canto apenas na sala de casa, a internet é ótima para passar o tempo navegando em coisas que nem preciso, moro apenas com minhas duas cachorras (uma que por sinal tem o mesmo nome da cantora desse post),  e se possuo mais de quatro amigos que não são virtuais é muito!

Em três anos eu descobri que tenho depressão. Há três anos atrás larguei tudo, até relacionamento, porque me sentia tóxica demais para conviver socializando com as pessoas. Nesse período eu pedi ajuda e iniciei um tratamento psicológico. Mas não foi fácil pedir essa ajuda. Não é fácil pedir essa ajuda. Eu estava tão perdida, tão estagnada em sentimentos que nunca pensei que existiam e que consumiam uma pessoa tão rápido, que acreditei no decorrer desses três anos que tudo estava se normalizando e que a batalha já estava sendo encerrada.

Afinal de contas, ainda neste período estou trabalhando, cumprindo horário, morando sozinha e pagando boletos. As pessoas ao meu redor até riem do que eu digo e me acham a pessoa mais Good Vibes que já conheceram. Mudei o visual, vivo entupida de maquiagem, escrevo para blogs, tenho um feed no Instagram maneiro, fiz algumas tatuagens e voltarei esse ano para as aulas. Isso é o suficiente né?! Não, não é não!

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Fiz minha mente acreditar que tudo estava bem, porque é muito mais fácil você falar que está bem do que explicar o que realmente sente. Até porque, nem sei o que sinto. É um turbilhão de nada com tudo. Uma confusão que me perde, me desorienta e me confunde. Na maioria das vezes me sinto como um objeto de concreto que não sente absolutamente nada. NADA MESMO . Mas tem dias que as lágrimas insistem em sair pra fora e trazem junto as mágoas e medos que eu nem sabia que tinha. Tem dias que minha mente pensa em ir conhecer lugares novos, conversar com pessoas, mas algum tempo depois esse contato me assusta e prefiro ficar no conforto das paredes da minha casa. Tem dias que escutar as pessoas, interagir com elas, mesmo que seja quem eu mais amo, é quase uma tortura.

Tem dias que quero aprender uma língua nova, acompanhar um tutorial de artesanato, maquiagem, mas logo depois vem as questões do  por que eu deveria fazer isso se não irá mudar em nada a minha vida. Tem dias que estou empenhada em iniciar um projeto novo, até planejo guardar uma grana e fazer um intercâmbio, um curso novo, redecorar minha casa, mas dias depois estou me sentindo a pessoa mais inútil do mundo e não vejo nenhum futuro em mim, então, desisto de tudo que planejei.

As madrugadas viraram minhas melhores companhias, elas conhecem segredos meus que se ultrapassassem aquelas paredes as pessoas se assustariam. É nelas que minhas lágrimas ganham vida. Chego a soluçar, estremecer, ficar em posição fetal e nada além de “o que você está fazendo menina?”, passa pela minha mente. Meu sono não é tão bom quanto antes, as vezes não consigo dormir, outras, durmo demais. Minha alimentação é ainda pior, pois nem fome sinto e o que como é apenas para tentar preencher um vazio que não acaba. Minha concentração é horrível e isso acaba comigo. Me sinto cansada, exausta na maioria das vezes, e isso é ainda mais desanimador. Meu humor é totalmente instável e me irrito com coisas que nem deveria. Meu corpo dói e minha mente viaja em pesamentos que não são bonitos.


Meus pais não entendem o que é depressão. Eles não fazem ideia de que é o último estágio de dor humana, onde é a sua alma que dói! Eles, assim como metade dessa humanidade, não entendem que é uma doença psicológica que se não tratada, pode te levar a morte, e acreditem, essas pessoas nem queriam morrer, elas queriam apenas matar o que elas sentem por dentro. Ninguém quer ser tóxico, perder a autoestima, a vontade de fazer suas atividades normais, de se divertir, de perder a capacidade de amar, de se sentir pesada, como se estivesse carregando um elefante 24h. Isso não é uma escolha, é algo que te invade. Chega uma hora que de tanto guardarmos os sentimentos, que de tanto dar atenção aos problemas alheios e não aos nossos, que explodimos. Não é um cansaço físico, é psicológico. Não é má vontade, é medo. Não é frieza, é amor acumulado de forma errada.

Ela não escolhe idade, classe social, etnia, sexo, grau de escolaridade ou profissão. Você dá uma bobeira e ela aparece e te toma conta! Sorrisos não significam estar bem, por sinal, existem tantos sorrisos falsos por ai que você só vai perceber ao encarar um olhar. Se você quer conhecer verdadeiramente uma pessoa, aprenda a ler ela pelo olhar. Se eles não brilham mais como de uma criança que vê uma borboleta, você já sabe o que significa!



Eu não estou sóbria.
Não estou curada e isso dói. Quis estancar uma ferida que nem cicatrizada está e juro que no fundo nem era isso que eu queria. Só pensei que falando o que as pessoas querem elas voltariam a me aceitar, até porque, estou sozinha! De algumas eu mesma me afastei porque não me acrescentavam mais, outras me afastei para protege-las, mas outras, bem, outras me deixaram porque eu estava escura demais para suas vidas coloridas. Mas tudo bem, eu faria o mesmo! Por sinal, obrigada aos que ficaram e que ainda acreditam em mim e na minha força de vontade de mudar.

Só peço, através dessas palavras, que vocês não me vejam como depressão. Eu não sou, eu estou!
Não escolhi, não pedi e se pudesse exterminaria ele do mundo. Entendam que não estou agindo dessas maneiras acima porque estou enjoada, porque quero chamar sua atenção ou ganhar sua piedade, se pudesse, estaria te ajudando a pintar um arco-íris. Compreenda que não é porque estou sorrindo, contando piadas e até saindo pra tomar um sorvete, que minha dor foi embora. Ela não passou, estou apenas aprendendo a conviver com ela, e não, isso não é bom! Não me critique, não me julgue, me ajude ...

Eu queria ser um modelo, mas sou apenas uma humana (...)



Ao precisar de ajude, ligue 188.

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2 comentários:

  1. WOW! Eu só consigo imaginar o quão difícil deve ter sido escrever esse post. Mas ao mesmo tempo, que bom que você conseguiu. Acredito que quanto mais a gente falar sobre doenças mentais, mais fácil será e as pessoas vão finalmente entender que a alma também fica doente. Eu li o seu post e fiquei super comovida com o seu relato. Eu só acompanho o seu blog, mas já to super a disposição pra conversar se você quiser. E também, tem um livro que fiquei com vontade de te indicar, que está mudando a minha forma de ver muitas coisas: O poder do agora - Eckhart Tolle. Você não é a sua doença, você está assim. É passageiro e não te define. Cuida de ti, do que te faz bem, investe teu tempo no que você acredita. Um dia por vez, passos pequenos até a sua alma se apaixonar pela vida de novo. Fica bem, beijo

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  2. Nossa, como eu chorei pois vc descreveu minha pessoa como eu sou hoje, e hoje tenho 34 anos desde dos 17 infelizmente minha vida começou ter esse sentimento e uma amiga leu seu post e to feliz porque depois de tantos anos... Finalmente alguém sabe minha amiga minha melhor amiga foi buscar o q é a depressão pra tentar me ajudar. obrigada só qm sofre dessa doença da alma sabe o que é isso

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