Todas as fotos desse posts são do arquivo pessoal da entrevistada


Nos 10 anos de Lamoonier não poderíamos deixar de fora o tema “moda”, já que tivemos muitos posts com esse assunto, principalmente no inicio de nossa história na plataforma. Mas hoje vamos abordar a moda de um modo diferente, falando como podemos nos vestir bem, gastando pouco e “reciclando” histórias. Para explicar esse assunto, apresento a vocês a Publicitária e empreendedora Gabriela Borges Souza, moradora de Porto União (SC), que com 25 anos, já tem sua própria empresa de roupas encontradas em brechó. Ficou interessado nesse enredo? Siga abaixo a entrevista:

A Gabriela possui uma empresa chamada Enkele, que tem como objetivo principal, dar um novo destino a peças encontradas em brechós. A Gabriela explica que “a Enkele surgiu durante a faculdade, foi um projeto para a matéria de Empreendedorismo e no inicio, a ideia era somente customizar peças, tornar elas únicas. Mas depois de apresentar o projeto, decidi torná-lo real e foi ai que criei o Instagram e comecei postar algumas coisas por lá”, conta.



Mas calma ai, não foi de cara que as peças de brechó apareceram na tal conta não, a Gabriela conta que “um dia decidi postar alguns desapegos meus de brechó e acabei tendo um retorno muito positivo. Desde então, sigo garimpando peças por aí e contando histórias sobre elas”, explica. Hoje, todas as peças encontradas na Enkele vem de brechós, bacana né?!

Porém, também se engana quem acha que é um trabalho fácil, até porque, tem todo um processo de curadoria, reparos e tantos outros cuidados até chegar a ter a foto postada no Instagram. “Eu frequento brechós e bazares beneficentes que são em prol de causas sociais. Faço toda parte de curadoria da peça, higienização, reparos, todos os cuidados necessários para que elas fiquem impecáveis. Algumas peças eu também customizo, geralmente peças em jeans, que é possível criar mais e fazer algumas combinações legais sem alterar a estrutura da peça, mantendo assim, sua modelagem original”, conta.



Falando em originalidade, o nome “Enkele” significa justamente ser único. Ou seja, podemos ver que criatividade não é algo que falta na Gabriela, assim como a paixão, pois ela conta que; “sempre gostei muito de escolher o que vestir e fui cada vez conhecendo mais sobre esse mundo. Quando estava no 3º do ensino médio, quis aprender a costurar e iniciei aulas com a Dona Guinefia, a mulher responsável por fazer eu me encantar ainda mais pelas roupas, pelas construções de cada peça e consequentemente, me descobrir apaixonada por moda”, relata.

Quanto se vale mais a pena comprar em lojas de varejo ou em brechó, Gabriela acredita que “há muitos pontos que podem ser analisados. O primeiro seria pelas peças de brechó serem mais sustentáveis, o reuso das peças que já foram produzidas, o aumento da vida útil dessas peças. Em segundo, a singularidade, as peças de brechó são únicas, é raro encontrar peças iguais, o que não acontece em lojas de varejo, onde as peças são produzidas em grande escala. Outro ponto seria o despego de tendências, enquanto o varejo trabalha muito em torno do que é moda, do que está em alta, os brechós possuem inúmeras peças de segunda mão que muitas vezes possuem mais de 20 anos de existência, aí entra o desafio de resignificar essas peças para usar nos dias de hoje”, explica.



Entretanto, apesar do brechó ter um custo menor e todos os benefícios já citados acima, ainda é um setor que possui um olhar de preconceito. Gabriela conta que no inicio “tive esse preconceito também, de achar que em brechó teria roupas velhas, mas isso foi só até entrar em um e mudar completamente o que pensava”, destaca. Por falar em primeira vez, nossa entrevistada relata que entrou pela primeira vez em um brechó, quando ainda estava no ensino médio. “Tinha uma apresentação na escola e eu e minhas amigas precisávamos de algumas peças. Como não daria tempo pra fazer e também nem tinha muita grana pra comprar algo mais elaborado, a gente acabou optando por ir ao brechó. Fiquei encantada quando vi aquela quantidade de peças incríveis e em bom estado, várias coisas diferentes e legais, desde aquele dia, não parei mais de frequentar”, enfatiza.

Já ficou encantada com esse relato? Então embarque na dica que a Gabriela dá aos que pretendem conhecer mais esse universo. “Primeiro de tudo ter a cabeça bem aberta, ter vontade de se arriscar, usar peças mais diferentes, ter consciência e entender que as peças de brechó além de serem legais e terem histórias, são também uma forma da gente olhar para moda por outro viés, pois talvez a gente nem precise de mais roupas no mundo, apenas conseguir mudar o olhar para o que já existe por aí. E claro, paciência e muita disposição, os brechós possuem peças únicas então muitas vezes você não vai encontrar algo específico que procura, por isso é importante ir bem aberta ao que vai encontrar por lá. Também é bom pensar em como conseguirá usar aquela peça depois, com os looks que já tem” explica.



Para entender ainda mais sobre esse universo de Brechós, é necessário pesquisar sobre o tema, acompanhar Instagram e até procurar documentários. Gabriela indica o “True Coast” que segundo ela, “tem uma abordagem muito interessante e pertinente”. Também é necessário ter em mente que “a moda é uma extensão nossa, e partir do momento que me conectei com coisas que acredito isso naturalmente se transpôs para o que uso. A moda hoje, pra mim, é uma forma de afirmar aquilo que sou e acredito, a moda tem esse papel, e é importante a gente olhar para isso com mais atenção. A gente veste mais que um tecido, a gente veste uma história e construímos nossa individualidade a partir disso”, ressalta.


Ficou extremamente apaixonada por esse tema e está doida para visitar um brechó? Então clique AQUI , AQUI AQUI e siga a Enkele. Através das postagens, além de poderem adquirir uma peça encontrada e customizada pela Gabriela, também poderão aprender muito mais sobre esse universo de moda consciente. Pois como encerra nossa entrevistada “o momento que estamos vivendo hoje, pode nos trazer muitas reflexões em torno da maneira como a gente vivia antes; e nos fazer repensar sobre muitas coisas para o futuro”.