10 mentiras que quem está em um relacionamento abusivo já ouviu

Eu lembro da primeira vez que eu te vi, eu tinha 16 e você 18. É estranho como o tempo passa e umas coisas ficam na cabeça da gente. Você era o cara, o cara que todas as meninas da nossa idade queriam ter e que todos os meninos da nossa idade queriam ser. Você me olhou, me quis e eu não entendi, afinal com tanta menina bonita, por que eu? Lembro do frio da barriga quando tocava o barulho do msn e era você, você pediu para ir até minha casa para conversarmos, e nós conversávamos sobre tudo, sobre o mundo e nossos sonhos, você sempre foi um bom ouvinte, sempre querendo saber mais sobre mim e principalmente dos meus medos, minhas fraquezas e minha baixa autoestima. Depois do primeiro beijo o namoro veio como pulo em nossos braços e eu me apaixonei, como não poderia me apaixonar por você?


Com alguns meses de namoro a gente se via todo dia e aquilo começou a me sufocar, eu tinha apenas 16 e precisava de uma amiga para conversar, mas segundo você meu único amigo era VOCÊ e se eu discordasse você dizia que queria terminar e ficaria com todas aquelas que eu chamava de amiga e eu não conseguiria mais ninguém. No dia do meu aniversário eu ganhei uma saia nova da minha mãe, era uma saia linda que eu estava querendo há muito tempo. Quando me viu com ela você fez com que eu trocasse porque namorada sua não se vestia igual vadia, eu disse para minha mãe que a saia não vestiu bem e que eu queria trocar. Ela sacou.


Nossa primeira vez foi um sonho que se tornou terror. Eu te contei meu segredo mais íntimo e que a virgindade já não me pertencia. Foi aí que eu realmente te conheci, você começou a me chantagear e fazia terrores psicológicos, disse que contaria a minha mãe o quão vadia a filha dela era e que eu perderia a confiança dela, perderia você e que ninguém nunca iria me amar, eu queria fugir, mas não achava como. 4º ATO | Caso Eloá Lembro do caso Eloá e como você dizia que estava do lado do agressor e se fosse com você faria parecido, mas melhor. Se for para matar que mate logo, dizia você. Eu me assustei.

No nosso último dia juntos fomos almoçar fora com a minha família. Estava tudo certo até você me ver acenando e supondo que era para um homem, eu lembro da sua raiva no olhar, mas logo passou e o almoço acabou. Na hora de ir embora você pediu para que eu fosse com você até sua casa, já era noite e você correu tanto com o carro e começou a gritar que queria morrer e que eu teria que morrer junto. Após eu ameaçar me jogar do carro você parou em uma rua escura e onde não havia ninguém, disse que me mataria e enterraria ali, me deu um soco no ombro e começou chorar falando que não conseguia. Ao chegar na sua casa eu corri para dentro e comecei a gritar sua mãe, contei tudo a ela e quando fomos te procurar não te achamos.


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Liberdade Sua mãe me levou até minha casa e quis conversar com a minha, ela queria pedir desculpas pelo filho que tinha. Quando você ouviu a voz dela, você assustadoramente saiu do meu quarto, você havia pulado o muro da minha casa e entrado sem ninguém perceber. Você era louco e me dava medo. Você começou a me chantagear novamente e foi aí que eu contei tudo e me libertei. Eu me armei de tudo aquilo que eu tinha. 


O poder da fala me levou a liberdade e eu consegui escapar de um relacionamento abusivo apenas com a fala, infelizmente muitas Carolines, Eloás e Marias não conseguiram. Porque depois de 10 anos estou escrevendo tudo isso? Porque isso ainda mexe comigo e quero que saiba que tenho uma profissão, amigos, uma família e um homem que eu amo, eu tenho tudo que você disse que eu não teria e sabe o melhor de tudo? EU SOU FELIZ.